Em Avilés o Fado voltou a acontecer

May 25, 2010 by admin  
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Faz agora ano e meio que aconteceu em Avilés um espectáculo de fados, inserido no programa de Arte e Sonido de la Casa de la Cultura, cujo êxito se reflectiu no numeroso público que assistiu à iniciativa divulgada pela imprensa. Na passada quarta-feira, tivemos a sorte de participar numa nova edição deste evento, que superou a anterior, com um programa semelhante, em que participaram os fadistas da edição anterior e ainda cinco novos.

Devemos ter em conta que o fado, não apenas se toca, se canta e se escuta, mas como dizem os portugueses “acontece”. E o fado ou acontece ou não é fado. E acontece quando há poesia, música boa, coração na boca e boca no coração de quantos o cantam, e sentimento e emoção e saudades compartilhadas com o público.

E tudo isso aconteceu na Casa da la Cultura, como depois voltou a acontecer horas depois, numa ocasião em que o avilesino apaixonado do fado, José Manuel Trosky, conseguiu reunir uns cem amigos e amantes do fado. Ali estavam também convidados os fadistas, num agradável ambiente de enorme fantasia e enorme cordialidade, em que nada fazia lembrar a crise que se atravessa, quando Ignacio Gracia Noriega e eu, iniciamos o convivio com umas breves palavras para sublinhar os laços de união que ligam os dois países irmãos em geografia, cultura e sentimentos.

Ali o guitarrista Arménio de Melo e o violista Miguel Ramos – que também canta maravilhosamente o fado – começaram com uma sublime guitarrada portuguesa. Entre o jantar e a sobremesa, as jovens fadistas Milena Candeias e Sara Correia – lindas de negro e xaile, como aconselham os cânones do “casticismo” – e os fadistas Julio Vicente, Diogo Rocha e Fernando Jorge, entoaram fados castiços como o “Tango”, “Menor”, “Marcha Zé Marques do Amaral” e outros com poesia em ocasiões comoventes como “Miudo da rua”, “Andei à tua procura”, “Ai Maria”, “Velha Tendinha” e o emocionante “Três vidas e um coração”, para citar apenas alguns.

O momento alto chegou no final, com um fado à desgarrada entre todos os fadistas presentes e com outra guitarrada de “Variações” que elevaram a sintonía de emoções até ao calafrio, rasgando da audiência generosos aplausos de uma despedida para a saudade e para a esperança de que volte a repetir-se.

Exposição Amália

October 26, 2009 by admin  
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Aquela que é considerada a maior fadista portuguesa vai ser celebrada na exposição «Amália, Coração Independente», que assinala os dez anos sobre a morte de Amália Rodrigues, aos 79 anos.

Jóias e vestidos, fotografias, filmes, cartazes, músicas e obras recentes de artistas plásticos vão mostrar ao público que a fadista “era um espelho multifacetado”, descreveu o coordenador do projecto em entrevista à Agência Lusa.

Jean-François Chougnet, também director artístico do Museu Berardo, indicou que a exposição «Amália, Coração Independente», inaugurada no âmbito dos dez anos da morte da cantora, completados a 06 de Outubro, estende-se em 4000 metros quadrados nos dois museus localizados em Belém.

A partir de 2010, a exposição estará patente noutros países.  Ainda hoje, chega às lojas Amália – Coração Independente , uma nova compilação em forma de CD duplo, e abrem as emissões de uma rádio exclusivamente dedicada ao fado , na frequência 92.0 FM ( emissão on-line aqui ).

A propósito do legado de Amália, o Jornal de Notícias entrevistou várias figuras da música portuguesa , perguntando-lhes qual a sucessora natural da cantora. Ana Moura, Mariza, Carminho e Aldina Duarte foram algumas das respostas. Diga-nos de sua justiça: qual a sucessora (ou sucessor) de Amália Rodrigues?

O Fado voltou a fazer história…

July 27, 2009 by admin  
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Second_Life_LogoPela primeira vez o mundo tão O tradicional mundo do fado esteve pela primeira vez em directo no Second Life. Tratou-se de uma iniciativa com carácter solidário em nome da Associação Terra dos Sonhos e contou com o apoio da Comunidade Cultural Virtual.
 

Este evento foi pioneiro em todo o mundo, porque pela primeira vez transmitiu em directo para o Second Life o espectáculo que decorreu em pleno coração de Alfama, no Clube do Fado em Lisboa.

 Neste espectáculo participaram 4 fadistas e 3 músicos:

Fadistas

Músicos:

Cuca Roseta
Miguel Capucho
Lina Rodrigues
Rodrigo Costa Félix

Mário Pacheco – Guitarra Portuguesa
Carlos Manuel Proença – Viola de Fado
Paulo Paz – Contrabaixo

 O evento ocorreu no Sábado dia 11 de Julho às 22h

Laginha e Sassetti homenageiam Amália

July 27, 2009 by admin  
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Os pianistas Mário Laginha e Bernardo Sassetti estrearam no passado sábado, na Casa da Música o concerto “Trago Fado nos Sentidos”. Trata-se de uma homenagem a Amália Rodrigues, na passagem dos 10 anos da sua morte. 

Para este novo trabalho, pedido a ambos pela Casa da Música, a dupla de pianistas compôs novos temas, arranjos e reinterpretações de temas celebrizados pela grande diva do fado, que Mário Laginha e Bernardo Sassetti levam para os territórios do inesperado, da improvisação controlada ou absoluta.

O concerto inclui ainda duas peças originais, compostas especialmente para esta celebração, uma de cada músico.

laginha_sassetiLaginha e Sassetti são dois dos mais talentosos pianistas portugueses de jazz da actualidade. As suas carreiras têm-se cruzado ao longo dos anos e sempre com reconhecido êxito.

Ambos têm já um número considerável de discos editados, onde conseguem estender a sua criatividade muito para além das fronteiras do jazz.

Mário Laginha, nascido em Lisboa, em 1960, tem a sua “casa” no jazz, mas na sua música atravessa muitos territórios, o que confere ao seu universo musical um cunho muito pessoal.

Na sua extensa discografia tem trabalhos a solo, em quinteto, em trio e ainda em duo com Maria João, com Bernardo Sassetti e um com Pedro Burmester.

Tem tocado e gravado com músicos excepcionais, como Wayne Shorter, Wolfgang Muthspiel, Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Julian Argüelles e Django Bates.

Compõe para cinema e teatro e escreveu para diversas formações, como a Big Band da Rádio de Hamburgo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmónica de Hanôver, o Remix Ensemble, o Drumming Grupo de Percussão, a Orquestra Nacional do Porto e a Orquestra Sinfónica de Bruxelas.

Também de Lisboa, mas dez anos mais novo, Bernardo Sassetti iniciou os estudos de piano clássico aos nove anos, dedicando-se, mais tarde, ao jazz.

Em 1987, começou a sua carreira profissional, em concertos e clubes locais, com o quarteto de Carlos Martins e o Moreiras Jazztet, tendo participado em inúmeros festivais com músicos como Al Grey, John Stubblefield, Frank Lacy e Andy Sheppard.

Desde então, apresentou-se por todo o mundo ao lado de Art Farmer, Kenny Wheeler, Freddie Hubbard, Paquito D’Rivera, Benny Golson, Curtis Fuller, Eddie Henderson, Charles McPherson, Steve Nelson, na United Nations Orchestra e no quinteto de Guy Barker.

Como compositor, escreveu várias obras para orquestra e instrumentos solistas e para pequenas formações.

Entre os muitos discos já editados em seu nome destacam-se “Nocturno” (2002, 1º prémio Carlos Paredes), dois álbuns em duo com Mário Laginha, “Ascent” (2005, 1º prémio Carlos Paredes) e “3 Pianos” (2008, em trio com Mário Laginha e Pedro Burmester).

Dedica-se regularmente à música para teatro e para cinema, tendo as bandas sonoras de “A Costa Dos Murmúrios” e “Alice” obtido o troféu internacional Cineport para melhor banda sonora original. Para o concerto desta noite, bilhetes ao preço único de 15 euros.

VII Festival de Fados de Castilla y León

July 27, 2009 by admin  
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Celebrou-se entre 22 e 24 de Julho, na Fundación Rei Afonso Henriques, Zamora, o Festival de Fados de Castilla y León, este ano na sua sétima edição.

castilla_1À semelhança de anos anteriores, o evento encheu por completo os majestosos jardins da Fundación Rei Afonso Henriques, um edificio de arquitectura moderna conjugada com as ruínas góticas do Convento de São Francisco, que em muito se parecem com a Igreja do Carmo em Lisboa.

Ali, habitualmente ao entardecer do Verão o cenário é magnifico, com as azenhas, as muralhas e a catedral iluminadas, e a brisa fresca assomando os choupos e o leito do Douro. Este ano, quis que fosse o primeiro dia carregado de nuvens e vento desagradáveis que nada puderam perante um público rendido de antemão ao feitiço do fado. Em todos os dias as actuações foram precedidas de prólogos culturais: na quarta-feira a projecção da película “Amália – O filme”, na quinta-feira a conferência da Dr.a Sara Pereira, directora do Museu do Fado de Lisboa, que apresentou de forma clara e sucinta a história do fado, auxiliada pela projecção de imagens ilustrativas. Na sexta-feira Mário Pacheco que apresentaria de seguida o espectáculo “Clube de Fado”, dissertou em bom espanhol sobre a guitarra portuguesa.

Quarta-feira, 22 de Julho

O concerto de Luísa Rocha, foi acompanhado por Guilherme Silva (guitarra portuguesa) e Miguel Gonçalves (viola) que antes do intervalo se desgarraram entre si numa guitarrada de “Variações”. A fadista apresentou-se de vestido vermelho e o tradicional xaile, ostentando no cabelo um adorno de flores também vermelhas, para acentuar o seu semblante de “fadista castiço”. Cantou fado, fado rigoroso e “afadistado”, com postura, com raça, com orgulho. Começou com o “Fado Menor”, cantou o “Fado Isabel” e fados-canção como “Sabe-se lá”. Cantou muito e cantou o “Dois tons” dizendo “gosto de ti porque gosto” e claro, o público aplaudiu e clamava “Bravo!” e “Guapa“. O vento furioso, não pôde com ela, não pôde com o público e o fado aconteceu uma vez mais junto ao Douro.

Quinta-feira, 23 de Julho

Na quinta-feira foi a vez de Dâna subir ao palco, num clima já mais sereno, acompanhada pelos músicos do dia anterior. Dâna é uma fadista nova, muito jovem, com um estilo muito próprio, talvez para meu gosto, demasiado teatral, para o que o fado pede. Desfiou um repertório também clássico e de novo o público correspondeu com aplausos e entusiasmo.

Sexta-feira, 24 de Julho

O terceiro dia foi magnífico, para recordar – vêm-nos á memória as actuações de António Chaínho, Ricardo Ribeiro ou Carminho, de anos anteriores – com guitarradas roubadas às mestrias de Mário Pacheco na guitarra portuguesa,  Pedro Pinhal na viola e Rodrigo Serrão no contrabaixo. Entoaram trechos de música portuguesa, afinada pelo virtuosismo de cada qual, sons rapsódicos de folclore, composições de Paredes, Rocha e as “variações” de Armandinho.
No espirito do “Clube de Fado” foram apresentados os fadistas que habitualmente intervêm nesse espaço e casa de Fados tradicional de Alfama.

castilla_2Primeiro Cristina Nóbrega, com uma voz doce, bonita e cristalina, muito mais expressiva que no seu CD de estreia “Palavras do meu fado”, e uma presença arrebatadora em palco: vestia um elegantíssimo vestido fuschia com xaile e uma expressão gestual plena de sentimento. Logo de seguida Miguel Capucho, já conhecido, muito humorado  e castiço. Por último outra jovem, Lina Rodrigues – que por certo é vizinha de Zamora, pois nasceu em Bragança – tem uma voz melodiosa, cadenciada, pondo o coração e a expressividade em letras menos frequentes de poetas como Pessoa, Amália Rodrigues, Vasco Graça Moura, musicadas por Mário Pacheco. Umas canções – nem todas fado, algumas baladas – de grande beleza e requinte.
Choveram aplausos, “encores”, e o público querendo saudar os artistas, ia tentando iludir a despedida, quando já passava muito para lá da meia-noite.

Ao lado, el Duero, rio que como a noite é partilhado por portugueses e espanhois, esse rio do poeta Eugénio de Andrade que um dia escreveu: “Vem de longe só para morrer às mãos das vagas. Chega extenuado, o caminho é longo, nem sempre fácil, embora se demore muita vez a contemplar as margens, ora escarpadas, ora em socalcos verdes, entre oiro e carmim”, nessa noite, para se divertir um pouco adiou-se por muitos kilómetros e, fascinado pelo Fado passou a chamar-se Douro.