Em Avilés o Fado voltou a acontecer
Faz agora ano e meio que aconteceu em Avilés um espectáculo de fados, inserido no programa de Arte e Sonido de la Casa de la Cultura, cujo êxito se reflectiu no numeroso público que assistiu à iniciativa divulgada pela imprensa. Na passada quarta-feira, tivemos a sorte de participar numa nova edição deste evento, que superou a anterior, com um programa semelhante, em que participaram os fadistas da edição anterior e ainda cinco novos.
Devemos ter em conta que o fado, não apenas se toca, se canta e se escuta, mas como dizem os portugueses “acontece”. E o fado ou acontece ou não é fado. E acontece quando há poesia, música boa, coração na boca e boca no coração de quantos o cantam, e sentimento e emoção e saudades compartilhadas com o público.
E tudo isso aconteceu na Casa da la Cultura, como depois voltou a acontecer horas depois, numa ocasião em que o avilesino apaixonado do fado, José Manuel Trosky, conseguiu reunir uns cem amigos e amantes do fado. Ali estavam também convidados os fadistas, num agradável ambiente de enorme fantasia e enorme cordialidade, em que nada fazia lembrar a crise que se atravessa, quando Ignacio Gracia Noriega e eu, iniciamos o convivio com umas breves palavras para sublinhar os laços de união que ligam os dois países irmãos em geografia, cultura e sentimentos.
Ali o guitarrista Arménio de Melo e o violista Miguel Ramos – que também canta maravilhosamente o fado – começaram com uma sublime guitarrada portuguesa. Entre o jantar e a sobremesa, as jovens fadistas Milena Candeias e Sara Correia – lindas de negro e xaile, como aconselham os cânones do “casticismo” – e os fadistas Julio Vicente, Diogo Rocha e Fernando Jorge, entoaram fados castiços como o “Tango”, “Menor”, “Marcha Zé Marques do Amaral” e outros com poesia em ocasiões comoventes como “Miudo da rua”, “Andei à tua procura”, “Ai Maria”, “Velha Tendinha” e o emocionante “Três vidas e um coração”, para citar apenas alguns.
O momento alto chegou no final, com um fado à desgarrada entre todos os fadistas presentes e com outra guitarrada de “Variações” que elevaram a sintonía de emoções até ao calafrio, rasgando da audiência generosos aplausos de uma despedida para a saudade e para a esperança de que volte a repetir-se.

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